Estacas helicoidais de aço galvanizado, prontas para instalação — sistema de fundação por estaca helicoidal (screw-pile).

Mais de 50 anos de pesquisa e inovação

para a engenharia geotécnica internacional.

O que fazemos

A Decourt Tecnologia em Solos é uma empresa de engenharia geotécnica de fundações. A atuação reúne três frentes:

  • Projeto e consultoria de fundações para todos os tipos de edifícios, barragens, metrô, viadutos, pontes, rodovias e obras industriais.
  • Pesquisa aplicada — desenvolvimento de metodologias, formulações, dimensionamentos e correlações voltadas à execução de obras.
  • Fundação Modular — aqui é onde usamos a expertise alcançada para a execução de fundações voltadas à construção industrializada leve, que é mais sustentável, rápida e econômica, além de ser uma resposta à escassez de mão de obra. São estacas metálicas instaladas por torque, sem concreto.

Fundação Modular

Onde nossas soluções se destacam

O avanço das construções modulares e leves trouxe ganhos expressivos em produtividade e sustentabilidade ecológica. No entanto, a engenharia de fundações tradicional ainda carece de metodologias específicas para acomodar as exigências desse segmento. A Fundação Modular preenche essa lacuna: um sistema de estacas metálicas cravadas por torque, executadas em módulos com segmentos típicos de 2 metros e sem uso de concreto.

Pensado para unir velocidade de instalação, controle individual de carga por estaca e baixo impacto no canteiro, o sistema traz ainda as seguintes vantagens:

  • Controle de carga Aferido estaca a estaca, por torquímetro, durante a própria cravação.
  • Velocidade Instalação rápida, com equipamento de baixo custo e pouca mão de obra no canteiro.
  • Sem concreto, sem cura A estaca já entra em carga logo após a cravação.
  • Independência climática Não depende do nível do lençol freático nem das condições climáticas.
  • Baixo impacto ambiental Pouco ruído, vibração e volume de escavação.
  • Reaproveitável Pode ser desinstalada e usada em outra obra, quando necessário.
  • Boa capacidade portante Suporta diferentes tipos de carregamento, mesmo em solos de baixa resistência.
  • Logística simplificada Poucas etapas e alta produtividade na instalação.

Desenvolvimentos

A Fundação Modular está em fase ativa de pesquisa e validação, dentro de um programa mais amplo voltado a soluções para construções modulares e leves em geral. Cravação de estacas em diferentes tipos de solo, monitoramento extensivo e uma ampla gama de ensaios geotécnicos e provas de carga vêm consolidando os parâmetros de dimensionamento do sistema. Os detalhes de cada campanha estarão documentados em Pesquisas, na página Decourt Pesquisas, à medida que forem concluídas.

Formulação

O dimensionamento da Fundação Modular parte da correlação entre o torque de cravação e a capacidade de carga da estaca, calibrada e validada pelas provas de carga do programa de pesquisa em andamento — sempre em busca de processos mais simples e formatos mais seguros. Os parâmetros técnicos consolidados a partir de cada campanha de testes serão detalhados aqui.

Vídeo demonstrativo: Nesma Partners (disponível via Facebook)

Animação 3D: como funcionam as estacas helicoidais (Studio MBM, via YouTube)

Ilustração histórica do sistema de fundação por estaca helicoidal (screw-pile), acionado manualmente.

Da pesquisa em andamento
ao método que a originou.

Pesquisas

Da pesquisa em andamento à trajetória que deu origem ao método — da mais recente à mais antiga.

2026 Pesquisa em construções modulares e leves — região Sudeste Em andamento Programa de campo para consolidar processos simplificados e formatos seguros em fundações modulares e leves.
  • início em 2026
  • região Sudeste
  • provas de carga e monitoramento
Estacas metálicas helicoidais

Programa de campo com cravação de estacas em diferentes tipos de solo, monitoramento extensivo e uma ampla gama de ensaios geotécnicos e provas de carga. O objetivo é consolidar processos simplificados e formatos seguros para fundações modulares e leves, seguindo os princípios que orientam a Decourt: qualidade, segurança, economia e rapidez. Previsão de início: 2026.

[Resultados e dados técnicos de cada campanha serão publicados aqui, uma lâmina por pesquisa concluída, conforme forem finalizados.]

2026 Prêmio José Machado 2026 (SKY Residencial, Fortaleza) Fundação inédita em barras de aço Rocsolo — recalque máximo de 6,32 mm, ¼ do limite de projeto.
  • 169 m · 52 pavimentos
  • prova de carga até 452 tf
  • 2 anos de monitoramento
Torre do SKY Residencial

A Torre II do Riacho Maceió — SKY Residencial, da Construtora Colmeia, à beira-mar de Fortaleza — recebeu uma fundação inédita em barras de aço Rocsolo de 3″. Monitorada de fevereiro de 2024 a março de 2026, registrou recalque médio abaixo de 3 mm e máximo de 6,32 mm — ¼ do limite de projeto, de 25 mm. O trabalho recebeu o Prêmio José Machado 2026, da ABMS.

6,32 mmrecalque máximo
2,98 mmmédio · 16 pilares
25 mmlimite de projeto
169 maltura · 52 pavimentos
Torre do SKY Residencial em Fortaleza com a laje de topo concretada
Laje de topo concretada · mar/2026 · foto Geoteknik
1
A ideia

Fundação direta… em aço

A concepção arquitetônica criou pilares muito longos e estreitos. Num edifício com mais de 50 andares, os esforços de vento são os que mandam — por isso nenhum pilar ficou com um lado aberto: as seções em “U” foram fechadas em seções quadradas, rígidas em todas as direções.

Para a fundação, a opção foi um tipo inédito: estacas raiz com 40 cm de diâmetro no solo e 31 cm na rocha ou no conglomerado laterítico muito compacto, tendo como peça principal uma barra Rocsolo de 3″ confinada por concreto de resistência ≥ 50 MPa. Foram usados dois tipos de estaca — as de carga, que penetram cerca de 6 m na rocha, e as de contenção, que apenas tocam o seu topo.

A barra confinada trabalha como uma sapata apoiada no aço — carga de trabalho em torno de 280 tf, governada pelo escoamento da própria barra.

O conceito vem de 2013, do projeto de fundações da Mansão Wildberger, o edifício mais alto de Salvador, publicado no livro Innovations in Geotechnical Engineering (ASCE, 2018), em homenagem ao Prof. Jean-Louis Briaud, e apresentado em palestra no Instituto de Engenharia de São Paulo em 2023.

Barra de aço Rocsolo de 3 polegadas com porca
Barra Rocsolo de 3″. Área de aço de 40,71 cm² e carga de escoamento da ordem de 282 tf.
Planta do bloco dos pilares P-11, P-15 e P-16 com a malha de estacas
Bloco dos pilares P-11 + P-15 + P-16. Malha de estacas a cada 2 m; em azul, os pilares-parede fechados em seção rígida.
Corte técnico da prova de carga: estaca de teste e estacas de reação
Corte da prova de carga (PC-01). Estaca central com barra Rocsolo de 3″ e trecho de 6,20 m em rocha; estacas de reação com tirantes Rocsolo 2½″.
2
A prova · Pesquisa IPT, Interlagos (SP)

Em 1,6 m, a carga quase desaparece

Antes do SKY, a hipótese foi testada em rocha sã na região de Interlagos, em São Paulo: barras Rocsolo de 4, 6 e 8 m em perfurações de 15 cm de diâmetro, com o espaço entre barra e rocha preenchido por concreto de pelo menos 50 MPa, e instrumentadas em profundidade.

Nos três casos, no primeiro nível de instrumentação — 1,6 m abaixo do topo — praticamente toda a carga já havia sido dissipada: restavam cerca de 7 tf de 360 tf aplicadas.

Conclusão: o comprimento da barra quase não importa. A fundação funciona como uma sapata apoiada na barra de aço confinada.

98%da carga dissipada nos primeiros 1,6 m
0,35 mmrecalque sob 360 tf (barra de 8 m)
3comprimentos testados · mesmo resultado
Transferência de carga em profundidade
Carga na barra (tf) × profundidade (m) · carga aplicada 360 tf
Valores medidos a 1,6 m: 6,80 tf (barra de 4 m), 6,88 tf (6 m) e 7,80 tf (8 m). Média 7,16 tf.
Carga × recalque · barra de 8 m
Mesmo sob 360 tf, a cabeça da barra desceu menos de meio milímetro
3
O ensaio · Prova de carga estática PC-01

452 tf numa única estaca

Rigidez = carga ÷ recalque (tf/mm). Método do gráfico de rigidez, Décourt (1996). Teste com seus dados na calculadora de rigidez →

A estaca E-01, sob o bloco dos pilares P-11 + P-15 + P-16, tem 13 m de comprimento: 40 cm de diâmetro no solo, 31 cm na rocha e a barra de 3″ ao longo de 6,20 m.

A carga foi aplicada em 12 estágios por um macaco de 700 t, reagindo contra quatro estacas ancoradas, e os deslocamentos foram lidos por quatro extensômetros de 0,01 mm, conforme a NBR 12131.

452,4 tfcarga máxima alcançada
10,81 mmrecalque na carga máxima
1,7×a carga admissível de 270 tf
< 5,2 mmrecalque na carga de trabalho

No gráfico de rigidez, o trecho final mostra o que interessa: a barra de aço sozinha responde por cerca de 282 tf — praticamente a sua carga de escoamento.

4
A obra monitorada · fev/2024 – mar/2026

Cada medição de recalque, uma prova de carga

A torre foi acompanhada durante toda a construção por altimetria de alta precisão, em 15 campanhas de nivelamento, do pavimento de lazer até a laje de topo.

A diferença está no que foi feito com os números. A cada data de leitura, o calculista estrutural, eng. Marcelo Silveira (MD Engenheiros Associados), reavaliava a carga de todos os pilares. Assim, N medições de recalque viraram N provas de carga “estáticas” — em fundações reais, sob o edifício real.

N-00 · 01/02/2024pavimento de lazer
N-14 · 18/03/2026laje de topo concretada
Técnico posicionando a mira de nivelamento em um pino de recalque
Mira de nivelamento junto a um pilar no subsolo

Mira posicionada nos pinos de recalque, nivelamento N-14. Fotos Geoteknik Consulting.

Recalque final dos 16 pilares × limite de projeto
Nivelamento N-14 · passe o mouse para ver a carga de cada pilar
Todos os pilares ficaram abaixo de ¼ do limite admissível de 25 mm. Recalque médio 2,98 mm (P-15/P-16 somados; 2,92 mm por pino de recalque, segundo a Geoteknik).
Prova de carga a partir do monitoramento
5
Documentos

Leia o trabalho completo

Projeto de fundações da obra Riacho Maceió, Torre II — SKY Residencial Prêmio José Machado 2026
↓ Baixar PDF
Página do trabalho
1 / 9
PDF

Trabalho do Prêmio José Machado 2026

L. Décourt · 9 páginas · aberto ao lado

PDF

Relatório de monitoramento de recalques RT-15 (N-14)

Geoteknik Consulting · mar/2026 · 23 páginas

Sob consulta
PDF

Relatório de prova de carga estática PCE-01

IS Assessoria / Solossantini · 2023 · 33 páginas

Sob consulta
ClienteConstrutora Colmeia
Projeto de fundaçõesLuciano Décourt
Projeto estruturalMD Engenheiros Associados · eng. Marcelo Silveira
Ensaios e monitoramentoIS Assessoria / Solossantini (prova de carga) · Solotrat (sondagem) · Geoteknik Consulting (recalques)
2016 Pesquisa IPT Interlagos Barras de aço confinadas funcionam como uma "sapata apoiada na barra", independente da profundidade.
  • barras de 4, 6 e 8 m
  • 360 tf → 7 tf a 1,6 m
  • recalque de 0,35 mm
Barra Rocsolo de 3 polegadas

Pesquisa realizada em 2016–2017 em rocha, na região de Interlagos (São Paulo), testou barras de aço Rocsolo de 4,0 m, 6,0 m e 8,0 m confinadas por concreto de alta resistência (≥ 50 MPa). Nos três casos, a partir da profundidade do primeiro instrumento de medição (1,60 m), praticamente toda a carga já havia se dissipado: a carga na base rondava 7,0 tf, contra 360 tf aplicados no topo. Conclusão: essa fundação funciona como uma "sapata apoiada na barra" confinada, com resultado praticamente independente da profundidade e do comprimento da barra.

360 tfcarga aplicada no topo
7 tfcarga residual a 1,6 m
1,6 mprofundidade do 1º instrumento

Ensaios em perfurações de 15 cm de diâmetro, com o espaço entre a barra e a rocha preenchido por concreto de alta resistência. A tabela abaixo é a prova de carga da barra de 8,0 m; o comportamento se repetiu nas barras de 4,0 m e 6,0 m, sustentando a conclusão de independência em relação à profundidade e ao comprimento.

Prova de carga — barra de 8,0 m, Pesquisa IPT Interlagos
#Carga (tf)Recalque (mm)
1360,000,35
2300,000,22
3270,000,17
4240,000,16
5210,000,11
6180,000,11
7150,000,07
8120,000,07
990,000,06
1060,000,05
1130,000,03
2013 Mansão Wildberger, Salvador + Symposium ASCE 2018 Em breve: mais detalhes Projeto que deu origem ao conceito das fundações diretas em barras de aço.
  • 40 pavimentos
  • Salvador (BA)
  • ASCE, 2018

O projeto de fundações de 2013 para a Mansão Wildberger — torre de 40 pavimentos e 74 apartamentos no Largo da Vitória, Salvador, com vista para a Baía de Todos os Santos — deu origem a todo o conceito das fundações diretas em barras de aço. O trabalho foi publicado no livro "Innovations in Geotechnical Engineering", em homenagem ao Prof. Jean-Louis Briaud, e apresentado no Symposium da ASCE (American Society of Civil Engineers) em 2018.

40pavimentos
74apartamentos
2013projeto de fundações

[Conteúdo provisório — arquiteto Fernando Frank, construtora MRM (com João Fortes); aguardando dados técnicos de fundação do projeto Wildberger.]

1998 Primeiras estacas hélice contínua segmentadas do Brasil Executadas pela Decourt/Estacas T. — o mesmo conceito de trados segmentados que hoje fundamenta as estacas metálicas helicoidais.
  • Antarctica (CE)
  • Caixa, Barretos (SP)
  • Trisoft, Itapevi (SP)
Equipamento de estaca hélice segmentada, 1998

Em 1998, a Decourt/Estacas T. executou as primeiras estacas hélice contínua segmentadas já cravadas no Brasil — estacas instaladas por partes, com segmentos de trado helicoidal, em vez de uma haste contínua única. A técnica foi empregada em obras como a fábrica da Antarctica, no Ceará; o prédio da Caixa Econômica, em Barretos/SP; a fábrica da Trisoft, em Itapevi/SP; entre outras.

O princípio é o mesmo que sustenta a Fundação Modular hoje: cravar a estaca em segmentos, em vez de numa peça contínua única, para ganhar flexibilidade no canteiro. O que mudou, ao longo de mais de duas décadas, foi o material e o modo de cravação — dos trados helicoidais segmentados para as atuais estacas metálicas helicoidais, instaladas por torque, sem concreto.

Torre de cravação usada na execução das primeiras estacas hélice contínua segmentadas do Brasil, 1998.
Torre de cravação usada na execução das estacas hélice segmentadas, 1998.
Caminhão de apoio à execução das primeiras estacas hélice contínua segmentadas do Brasil, 1998.
Caminhão de apoio às obras de estacas hélice segmentadas, 1998.
1996 Método da Rigidez (Décourt, 1996 · revisão 2008) Ruptura é quando a rigidez chega a zero: um gráfico que extrai muito mais de uma prova de carga.
  • rigidez = carga ÷ recalque
  • ponta × atrito lateral
  • calculadora no site
Gráfico de rigidez

Uma estaca está em ruptura física quando o recalque cresce sem que a carga aumente (De Beer, 1988: Δs/ΔQ = ∞). Décourt (1996) inverteu essa definição: se a rigidez — carga dividida pelo recalque — for colocada num gráfico contra a carga, a ruptura é o ponto em que a rigidez chega a zero. Prolongando a tendência dos pontos até esse eixo, obtém-se a carga de ruptura, mesmo quando o ensaio foi interrompido bem antes dela.

1996proposição do gráfico de rigidez
2008versão revisada
Rig = 0critério de ruptura

Em estacas escavadas levadas a grandes deformações, o gráfico separa dois domínios: onde a ponta predomina, carga e rigidez seguem uma curva (linear em escala log × log); onde predomina o atrito lateral, a relação é nitidamente linear (Décourt, 2006–2008). Cada trecho pode então ser lido separadamente — é assim que se estima a parcela de carga de cada parte da fundação.

Gráfico de rigidez da estaca de teste do IPT, com as fases I e II e as cargas extrapoladas
Gráfico de rigidez da estaca de teste do IPT: trechos das fases I e II, com cargas extrapoladas QI = 2,758 MN e QII = 5,266 MN.

O método é usado em toda esta página: é com ele que a prova de carga do mostra a barra de aço respondendo sozinha por cerca de 282 tf, e que cada leitura de recalque do edifício virou uma prova de carga. É citado por autores como Harry G. Poulos e Bengt H. Fellenius. Teste com seus dados na Calculadora do Método da Rigidez →

Ferramentas de apoio a engenheiros

[Calculadoras e programas/softwares abertos ao público — base: conteúdo de fundacao-luciano-decourt.streamlit.app (ainda não recebido). Primeira ferramenta disponível abaixo.]

Calculadora do Método da Rigidez (Décourt)

Extrapola a carga última (Quc) de uma estaca a partir dos dados de uma prova de carga — a carga que provoca um recalque igual a 10% do diâmetro da estaca (critério de ruptura convencional).

O que é essa ferramenta

Quando se crava uma estaca (a peça de fundação enterrada que sustenta um prédio), é preciso saber quanto peso ela aguenta antes de ceder. Pra descobrir isso, faz-se uma prova de carga: coloca-se peso real em cima da estaca, aos poucos, medindo o quanto ela afunda a cada etapa. Só que, por segurança e custo, o ensaio quase sempre para antes da estaca realmente romper — ninguém quer arriscar quebrar de verdade uma fundação que vai sustentar um prédio só para "ver o que acontece".

Essa calculadora resolve esse impasse: pega os dados do ensaio, que parou no meio do caminho, e faz uma extrapolação matemática para estimar até onde a estaca aguentaria — sem precisar levá-la à ruptura de verdade. A cada etapa do ensaio, dá pra calcular uma espécie de "resistência" da estaca (peso aplicado ÷ quanto ela afundou). Conforme o peso aumenta, essa resistência normalmente vai diminuindo de um jeito bem previsível — como espremer uma esponja: no começo ela resiste bem, mas quanto mais perto do limite, menos resistência ela oferece a cada novo aperto. Colocando isso num gráfico, dá pra traçar uma linha de tendência e projetá-la um pouco além dos dados reais, até o ponto que os engenheiros geotécnicos convencionaram como "ruptura" (quando a estaca afunda o equivalente a 10% do seu próprio diâmetro).

Na prática, isso permite aproveitar um ensaio real — caro e demorado, que já foi feito — para estimar com confiança a capacidade máxima da estaca, sem gastar mais dinheiro nem colocar a estrutura em risco. É o mesmo método usado nos casos reais que aparecem no site (como o do SKY Residencial, em Fortaleza) para comprovar, com números, que a fundação projetada tem folga de sobra em relação ao seu limite.

O Método da Rigidez (Décourt) extrapola a carga de ruptura (Qu) de uma estaca a partir de uma prova de carga que não chegou à ruptura física. Para cada estágio, com carga Q e recalque w, calcula-se a rigidez K = Q/w. Plotando K em função de Q (ou log K em função de log Q), a curva costuma se comportar de forma aproximadamente linear em subtrechos — sobre o trecho escolhido, ajusta-se uma regressão (K = a + bQ, no caso linear, ou log K = a + b log Q, no caso log) e extrapola-se essa reta até o recalque de referência wc = 10% do diâmetro da estaca (critério de ruptura convencional). Isolando Q na equação ajustada com w = wc, obtém-se Quc. O R² indica o quão bem aquele trecho específico segue o comportamento assumido — como trechos diferentes podem gerar extrapolações distintas, a calculadora permite comparar até 3 curvas ao mesmo tempo, sobre pontos diferentes da mesma prova de carga.

Como usar esta calculadora
  1. Diâmetro da estaca — informe abaixo, na unidade que preferir (cm, m ou mm). Ele define o critério de ruptura: a carga que provoca recalque de 10% do diâmetro.
  2. Preencha a tabela — para cada estágio da prova de carga, informe Carga (kN) e Recalque (mm). A Rigidez (Carga ÷ Recalque) é calculada sozinha. Use "+ Adicionar ponto" para mais linhas, ou "Carregar dados de exemplo" para ver um caso já pronto.
  3. Observe o gráfico — ele plota Carga × Rigidez e ajuda a identificar visualmente o trecho que se comporta como reta.
  4. Configure até 3 curvas — em cada bloco "Curva", escolha o tipo (Linear ou Log) e os números das linhas da tabela (Ponto inicial/final) que marcam o trecho reto identificado no gráfico. A reta ajustada aparece sobreposta no gráfico para conferência.
  5. Clique em Calcular — veja, para cada curva, os coeficientes do ajuste, o R² (qualidade do ajuste — quanto mais perto de 1, melhor) e o Quc extrapolado, em kN.
#Carga (kN)Recalque (mm)Rigidez

Carga × Rigidez. Ao definir os pontos inicial e final de uma curva abaixo, a reta ajustada aparece no gráfico.

Curva 1

Curva 2

Curva 3

Acervo

Trabalhos publicados por Luciano Décourt, documentando décadas de pesquisa em engenharia geotécnica.

[Lista selecionada — o acervo completo reúne mais de 150 trabalhos técnicos e científicos.]

  • Décourt, L. (2021). Prediction of the bearing capacity of piles based exclusively on N values of the SPT. In Penetration Testing, volume 1 (pp. 29-34). Routledge.
  • Resende, A. S., Décourt, L., Silva, M. Q. D. C., Araújo, C. B. C. D., & Nóbrega Junior, A. J. (2019). Comparativo de resultados de provas de carga com células expansivas, ensaios bidirecionais, em estacas hélice contínua sem e com problemas em processo executivo.
  • Décourt, L. (2018). Design of shallow foundations on soils and rocks on basis of settlement considerations. In Innovations in Geotechnical Engineering (pp. 342-357).
  • Grotta Jr., C., Penna Campos, A. S. D. G. C., & Décourt, L. (2016). Predicted and measured behavior of a tall building in a lateritic clay. In Geotechnical and Geophysical Site Characterisation 5 (ISC'5), Gold Coast.
  • de Camargo Barros, J. M., Gandolfo, O. C. B., Quaresma Filho, A. R., Penna, F. D., & Décourt, L. (2016). Maximum shear modulus of a Brazilian lateritic soil from in situ and laboratory tests. In Geotechnical and Geophysical Site Characterisation 5 (ISC'5), Gold Coast.
  • Abreu, P. S. B., Décourt, L., & de Souza Filho, J. M. (2015). Execução de Estacas em Solos Lateríticos. In From Fundamentals to Applications in Geotechnics (pp. 1568-1574). IOS Press.
  • Décourt, L. (2015). Prediction of Bearing Capacity of Bored Piles in Sands. Theoretical x Empirical Formulas. In From Fundamentals to Applications in Geotechnics (pp. 1721-1725). IOS Press.
  • Décourt, L., & Koshima, A. (2015). Remedial Measures for a Building With Pile Foundations in Subsiding Soil. In From Fundamentals to Applications in Geotechnics (pp. 1670-1677). IOS Press.
  • Décourt, L. (2013). Class A predictions and benefits derived from their analyses. In Geotechnical and Geophysical Site Characterization: Proceedings of the 4th International Conference on Site Characterization ISC-4 (Vol. 1, pp. 1797-1804). Taylor & Francis Books Ltd.
  • Melo, B. N., Albuquerque, J., Décourt, L., & Carvalho, D. (2012). Análise do atrito lateral em estacas hélice contínua instrumentadas por meio do conceito de Rigidez. In 16º Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica. Porto de Galinhas.
  • Décourt, L. (2011). Discussion of "Plate Load Tests on Cemented Soil Layers Overlaying Weaker Soil" by Nilo Cesar Consoli, Francisco Dalla Rosa, and Anderson Fonini. Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 137(4), 447-448.
  • Décourt, L. (2009). General Report — Technical Session 3C, Interactive design. In Proceedings of the 17th International Conference on Soil Mechanics and Geotechnical Engineering, Alexandria.
  • Décourt, L. (2008). Loading tests: interpretation and prediction of their results. In From Research to Practice in Geotechnical Engineering (pp. 452-470).
  • Décourt, L. (2007). Discussion of "Pile Behavior—Consequences of Geological and Construction Imperfections" by Harry G. Poulos. Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 133(1), 120-120.
  • Décourt, L. (2006). Discussion of "Estimation of Bearing Capacity of Circular Footings on Sands Based on Cone Penetration Test" by Junhwan Lee and Rodrigo Salgado. Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 132(11), 1511-1513.
  • Décourt, L. (2006). Discussion of "Review of Standard Penetration Test Short Rod Corrections" by Chris R. Daniel, John A. Howie, R. Scott Jackson, and Brian Walker. Journal of Geotechnical and Geoenvironmental Engineering, 132(12), 1633-1634.
  • Décourt, L. (2001). Behavior of shallow foundations on a lateritic clay. In Proceedings of the 15th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Istanbul.
  • Décourt, L. (1997). Design and behaviour of tall buildings on T-pile foundations. In Proceedings of the 14th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Hamburg.
  • Décourt, L. (1996). Capítulos do livro Fundações: Teoria e Prática. ABMS/ABEF.
  • Niyama, S., & Décourt, L. (1994). Predicted and measured behavior of displacement piles in residual soils. In Proceedings of the 13th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, New Delhi.
  • Quaresma Filho, A. R., & Décourt, L. (1994). Practical applications of the standard penetration test complemented by torque measurements, SPT-T. In Proceedings of the 13th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, New Delhi.
  • Décourt, L., & Quaresma Filho, A. R. (1991). The SPT-CF: An Improved SPT. In SEFE II (2º Seminário de Engenharia de Fundações Especiais), vol. 1, São Paulo.
  • Décourt, L. (1989). Discussion of "Concrete Pile Design in Tidewater Virginia" by Ray E. Martin, James J. Seli, Graydon W. Powell, and Michael Bertoulin. Journal of Geotechnical Engineering, 115(10), 1499-1500.
  • Décourt, L. (1989). SPT, CPT, pressuremeter testing and recent developments in in-situ testing — Part 2: the standard penetration test, state-of-the-art report. In Proceedings of the 12th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Rio de Janeiro.
  • Rad, N. S., Lacasse, S., Lunne, T., & Décourt, L. (1989). SPT, CPT, pressuremeter testing and recent developments in in-situ testing — Part 3. In Proceedings of the 12th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Rio de Janeiro.
  • Décourt, L., & Quaresma, A. R. (1978). Capacidade de Carga de Estacas a partir de Valores de SPT. Anais do VI Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações (COBRAMSEF), Rio de Janeiro, vol. 1, pp. 45-53. — trabalho de origem do método Décourt-Quaresma, hoje um dos métodos de previsão de capacidade de carga de estacas mais usados no Brasil.
  • Décourt, L. (1977). Stability of Slopes in Residual Soils. In Proceedings of the 9th International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Tokyo.

A Empresa

A Decourt foi fundada em 24 de abril de 1973 por Luciano Décourt, engenheiro com mais de 60 anos de atuação em engenharia geotécnica e fundações. Desde então, a empresa reúne consultoria técnica, pesquisa aplicada e desenvolvimento de métodos para fundações — com base científica construída ao longo de décadas de estudos e projetos.

150+trabalhos publicados
2000+citações acadêmicas

Luciano Décourt formou-se pela Escola Politécnica da USP (São Paulo, Brasil), com especializações em mecânica dos solos e geotecnia em Harvard (Cambridge, Massachusetts) e Cambridge (Reino Unido). Atuou no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Brasconsult Engenharia de Projetos e no Laboratório Rankine de Engenharia Civil, fundou a Luciano Décourt Consultoria e lecionou Mecânica dos Solos como Professor Titular na FAAP, formando gerações de engenheiros geotécnicos.

Entre suas contribuições técnicas está o desenvolvimento do Standard Penetration Test (SPT) segundo o International Reference Test Procedure (1988/1989), hoje um dos ensaios de campo mais utilizados na engenharia de fundações. A isso somam-se três décadas de estudos sobre solos lateríticos.

Ilustração da perfuratriz moderna de estacas, ilustrando a evolução da técnica de fundação.

Reconhecimento internacional

  • Vice-presidente da International Society for Soil Mechanics and Foundation Engineering (1989–1994).
  • Prêmio da ESOPT II (European Symposium on Penetration Testing), Amsterdã, 1982, pela melhor previsão de capacidade de carga de uma estaca de concreto protendido, com fórmula de sua autoria.
  • Sócio Emérito da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS), desde 2014.
  • Membro Emérito da Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia (ABEF), desde 1992.
  • Fellow da American Society of Civil Engineers (ASCE), desde 1991.
  • Membro da Academia Nacional de Engenharia (ANE), cadeira 79, desde 2012.
  • Prêmios Manuel Rocha (1996–1998) e Karl Terzaghi (2002–2004), da ABMS; Prêmio José Machado, da ABMS; Prêmio Odair Grillo, da ABEF; e Prêmio Milton Vargas (2012), da Revista Fundações e Obras Geotécnicas.

É esse embasamento técnico — ciência aplicada, rigor e experiência de campo — que orienta a atuação da Decourt até hoje.

Seu trabalho é referência em publicações de autores como Harry G. Poulos, Bengt H. Fellenius, Rodrigo Salgado e Urbano Rodrigues Alonso, entre outros, somando mais de 2000 citações acadêmicas em todo o mundo.

Projetos

Ao longo de mais de 50 anos, a Decourt projetou fundações para os mais diversos tipos de obra — não apenas edifícios, mas também grandes empreendimentos de infraestrutura. À frente do departamento de Mecânica dos Solos da Brasconsult Engenharia de Projetos (1967–1973), Luciano Décourt respondeu pelos projetos de fundação de variados empreendimentos, como:

  • Edifícios residenciais e comerciais — de todos os portes e complexidades.
  • Barragens de usinas hidrelétricas — projetos geotécnicos para grandes obras de geração de energia, como: Promissão, Ponte Nova e Ibitinga.
  • Metrô — trechos executados em São Paulo e no Rio de Janeiro.
  • Rodovias e obras de arte — como estruturas ao longo da Rodovia dos Bandeirantes.
  • Obras industriais — fundações para plantas e estruturas de grande porte.

Essa diversidade de terrenos e tipos de carregamento é o que sustenta a abordagem técnica da Decourt: cada solução de fundação nasce de uma leitura cuidadosa do solo e da obra, não de fórmulas genéricas.